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Foram 45 anos a recolher imagens sobre a pecuária de Moçambique, primeiro com uma máquina 6X9 Zeiss Ikon, a preto e branco, e mais tarde com outras, com slides em colorido, a que se seguiram algumas obtidas em viagens a Moçambique. Contribuiram também para esta elaboração diversos colegas moçambicanos, técnicos e criadores ou entidades ligadas à Pecuária, Fauna e Indústrias animais. Algumas imagens foram também obtidas a partir de filmes em 8 mm, e depois de vídeos. Uma grande parte das imagens encontra-se já nos volumes publicados sobre a Pecuária de Moçambique, referentes às províncias do Norte, do Centro e do Sul. Pareceu-me útil que estas imagens fossem postas à disposição dos estudantes dos cursos agrários em Moçambique e mesmo de outros países, pelo menos, dos que falam português, e que poderiam ser utilizadas nos seus trabalhos. É esta a razão que se pretende com esta elaboração deste Banco de Imagens no qual poderão ser introduzidas outras de quem o deseje e ou com ligações e interesses pela pecuária ou novas tecnologias no campo das produções animais, em Moçambique ou em outros países.----Esgueira, 2009.06.23-F. de Pinho Morgado

A MINHA VIAGEM A MOÇAMBIQUE EM 1996

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Moçambique que vimos em 1996-Vídeo 1

Moçambique que vimos em 1996-Vídeo 2

sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Leões

As espécies faunísticas não foram o campo a que mais me dediquei, mas sempre foi possível obter algumas imagens fornecidas ou facultadas por colegas e técnicos que mais contactaram com este sector.


Neles estão Albano Cortez, Armando José Rosinha, Celestino Ferreira Gonçalves, Fernando Cardoso Paisana, Jaime Augusto Travassos Santos Dias, além dos que escreveram sobre o assunto como João Augusto Silva e outros.


O Kruger Park e o Parque Nacional da Gorongosa foram os locais onde foi possível conseguir a maior parte dos elementos do passado, mas todos os que criaram gado em Moçambique têm algo a dizer sobre os efeitos das espécies faunísticas sobre as espécies que procuravam manter ou desenvolver.


Hoje muitos e novos elementos existem sobre o Parque Nacional da Gorongosa, onde trabalha o médico veterinário Lopes Pereira e cuja recuperação está a ser apoiada pelo americano Greg Carr.



Com a designação latina de “Panthera leo” o leão é um dos alvos preferidos pelos visitantes deste Parque que encontravam em grande número, umas vezes próximo de água, outras deslocando-se e até em observação nas casas construídas e depois abandonadas por causa da inundação da área no tempo das chuvas.

 
 

Leão no Parque Nacional da Gorongosa ao pé de uma lagoa – Morg







Cabeça de leão expressando bem a sua ferocidade –
Parque Nacional da Gorongosa – Albano Cortez







A curiosidade do leão – Parque Nacional da Gorongosa – Albano Cortez








Leão bocejando – Parque Nacional da Gorongosa – J.A. Travassos Dias







Leões no terraço das antigas instalações do Parque Nacional da Gorongosa –
 Morg






Leão descendo as escadas das instalações abandonadas –
 Artur Torres Fevereiro







Leão fixando o fotógrafo – Parque Nacional da Gorongosa –
Jaime Augusto Travassos Santos Dias






Grupo de leões deslocando-se – Parque Nacional da Gorongosa –
 Celestino Ferreira Gonçalves






Leões comendo – Parque Nacional da Gorongosa – Albano Cortez






Leão lambendo a pata – Parque Nacional da Gorongosa –
Jaime Augusto Travassos Dias






Leão com um corno “entalado” na boca – J. A. Travassos Dias






Leão descansando à sombra das árvores – Artur Torres Fevereiro






Leão apanhado em armadilha e abatido pelo estado
em que se encontrava – Albano Cortez






Crânio de leão – Colecção de José Monteiro e de Suzana Azemel – Morg



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→ Sobre o Texto




Parte das imagens foram obtidas em máquina de filmar de 8 mm e talvez algumas em Super8 e só as mais recente em Vídeo.


O colega Albano Cortez que foi Director do Parque Nacional da Gorongosa, até 18 de Julho de 1973, contribuiu com bastantes trabalhos para a apresentação das imagens das diversas espécies existentes na Gorongosa e que teve de melhorar pelo estado em que se encontravam.




Dr. Albano Cortez, na porta da carrinha, e companheiros de trabalho –
 Parque Nacional da Gorongosa



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→ Sobre os posts anteriores




No Post sobre os coelhos contei o caso de um prato que foi servido como coelho, sendo na realidade gato, em tempos da 2ª Grande Guerra Mundial, no 1º ano do meu curso de Medicina Veterinária, em 1940.


Para se reconhecer a omoplata do coelho apresenta-se a imagem do osso obtido em Esgueira.





Omoplata de coelho – com a sua espinha acromiana
 da qual a saliência terminal não se nota no gato – 2010 – Morg



Certamente que o talho que abastecia a casa onde comia não forneceu o animalzinho completo e com a cabeça, porque assim seria mais facilmente detectado.



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→ Recordo




Sobre leões recordo dois casos, um passado por Emídio Gonçalves Vicente, em defesa da Pecuária, e o outro que se passou com o cozinheiro António da Sociedade Pecuária do Mazeminhama.



NA DEFESA DA PECUÁRIA...



Um dia, já na parte da tarde, um criador do Chimunde, (Govuro) pediu ao Dr. Marques da Silva que mandasse alguém matar os leões que já lhe tinham morto 3 vacas.


Lá fui eu, levando uma carabina 375 e uma caçadeira de 2 canos, com cartuchos SSG de 18 bagos de chumbo, depois de preparar o Jipe, deitando o pára-brisas por cima do “capot” – para melhor visibilidade e apoio do cano, até à povoação do criador que mandou um “mufana”, talvez de 12 anos, acompanhar-me até ao local na planície onde as vacas pastavam e à volta da qual se encontrava uma mata densa.


Encontrámos na planície as duas vacas mortas, quase totalmente comidas, e coloquei a estricnina na pouca carne que ainda restava.


Quis ainda pôr veneno na 3ª vaca, cujo rasto seguimos em direcção à floresta e fomo-la encontrar, aí a uns 100 a 200 metros da orla da mata e, num silêncio profundo, lá coloquei a estricnina nos locais da carne de que eles mais gostavam.


O pastor punha-se de vez em quando à escuta e dizia-me que os leões estavam ali perto, ouvia-se uma restolhado, mas nada víamos.


Voltámos em direcção ao Jipe e quando chegámos, olhámos e muito perto de nós, já estavam 9 leões em leque a fixar-nos.




Leão sem juba – Foto de Emídio Gonçalves Vicente



Peguei na caçadeira e atirei a um e depois a outro e como estavam bem perto ficaram logo ali dois, pondo-se em fuga os outros, mas ainda tive tempo de pegar na carabina e ferir mais um, que depois veio a morrer.



Pus o carro a funcionar, fui em perseguição do resto do grupo e ainda dei uns fogachos, mas nunca mais os vi, nem constou que tivessem voltado.


Trouxe um leão para Mambone, vimo-nos em dificuldades para o levantar e carregar no Jipe, pois era muito pesado. Quando os cães da vila à chegada viram o animal, fugiam a “sete patas” e a ganir, sem olhar para trás.


Emídio Gonçalves Vicente
Amadora, Junho de 2004


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COM A MÃO NA BOCA DO LEÃO…



Terá sido possível?


Não sei, mas o que é certo é que numa noite de férias que passámos no Mazeminhama, exploração pecuária em parte familiar, cuja sede ficava a 10 km da estrada que de Boane se dirigia para Catuane, a 100 km de Lourenço Marques, na altura levei de carro o António ao Hospital Miguel Bombarda naquela cidade, e voltei de novo para o Mazeminhama.



Quem era o António?



Podem muitos não se lembrar do António do Mazeminhama, mas lembram-se certamente daqueles frangos de churrasco, conhecidos na altura, como à “cafreal” e do pudim ”multi-ovos” que ele apresentava no fim do almoço, em geral, com aquelas papaias seleccionadas pelo gosto às refeições e multiplicadas através das suas sementes nos terrenos regados da horta.




Residência do gerente e escritório da
Sociedade Pecuária do Mazeminhama – 2004 – Morg


O António, cozinheiro do Mazeminhama, um pouco nutrido, não morava perto da casa sede, mas sim talvez a um quilómetro para lá do outro lado do rio e aonde tinha de regressar depois do jantar.

O ataque que sofreu…


Uma noite volta para a casa onde estávamos, com a mão esburacada e com a gordura branca a aparecer, dizendo que no caminho tinha sido atacado e conseguido fugir de um leão que lhe tinha mordido a mão e que depois não mais o atacou...

Ficámos na dúvida de ter sido leão. Que era carnívoro certamente seria e que lhe deixou a pele da mão rasgada. Mas deixá-lo e não o atacar mais, é de surpreender de facto...

As visitas leoninas aos currais noutros tempos…

Que leões passavam noutros tempos, ainda os animais estavam em currais de espinhosas, pelo menos uma vez por ano pelo Mazeminhama, vindos dos Montes Libombos e matavam umas duas ou três cabeças, também é verdade.

Que uma vez foi visto um leão vir até à estrada onde passavam os carros ao longo da picada da vedação e depois voltar para trás, também nos foi referido.

Mas que andei a pé por lá, à procura de frutos locais, vi cobras que se levantaram à minha frente e até me cuspiram, felizmente sem me atingir os olhos, ouvi à noite os elefantes que por lá passavam à procura do ocanho e adubaram o terreno onde estiveram, vi também os abatidos nas suas migrações anuais, também é verdade, mas grandes carnívoros não cheguei a ver...

O resultado dessa passagem do leão…

Ficámos na dúvida, mas o que é certo é que no dia seguinte soubemos que o animal que por lá passou tinha morto 2 crianças, perto da casa do António.

Veio também o pessoal que dormia no Gamula, a uns 5 quilómetros de casa, dizer que tinha passado por lá um leão e que tiveram que fugir para cima do telhado.

O leão tinha entrado no quarto e rasgado as malas de papelão com os seus pertences e que o gado durante a noite tinha rebentado a vedação e fugido do curral onde costumava ficar.

Lá fomos ver e encontrei de facto junto ao curral pêlos amarelados presos ao arame de vedação...

Teria sido de facto leão?

Mas em que situação se encontrava para não ter morto imediatamente o António ou ter-lhe decepado o braço?

Grande sorte teve o António que acabou naturalmente por deixar de fazer os frangos de churrasco e deixou a empresa.

Esgueira, Janeiro de 2010
Morg