São incluídos nos pequenos ruminantes os ovinos e caprinos e por esta espécie, a mais numerosa em Moçambique, começo a apresentação de imagens que se obtiveram.
“O cabrito é animal que se vê no campo a procurar folha ou rebento mais apetecido, saltar, correr, lutar e trepar a qualquer elevação que se depare à sua frente, isto é, espécie cheia de vida mas que dá vida também àquele que o possua”
→ Raça caprina Landim
O cabrito landim encontra-se espalhado por todo o Moçambique chegando a ser recolhido mesmo sob a protecção da casa onde vive o camponês.
De orelhas curtas e de pelagem bastante variada, na sua alimentação entram folhas, rebentos de árvores e arbustos e tudo a que pode chegar com valor nutritivo.
Em Tete e em período de fome as maçanicas deitadas ao chão constituem um recurso para a sua alimentação.
De boa fecundidade e fertilidade chega a ter quadrigémeos.
Na sua comercialização sofre um bocado com os recursos disponíveis, não só quando os proprietários aguardam a sua venda em dias de calor ou na forma de transporte, cobertos por vezes por lonas.
A espécie foi um elemento importante para o povoamento pecuário do norte de Moçambique.
Fez parte também dos trabalhos da Estação Zootécnica de Chobela e depois de 1955 foi criado um estabelecimento ligado ao estudo e produção da espécie.
A sua área de dispersão encontrava-se nas terras do Pafúri, de onde foram trazidos alguns exemplares para a Estação Zootécnica de Chobela.
A raça tem grande valor para a população da região cujas culturas estão sujeitas a grandes períodos de seca e a ela recorre pela sua produção de leite.
Na sua origem admite-se a existência de um caçador Bóer que se estabeleceu em tempos idos na região trazendo com ele alguns caprinos de raça Bóer que se cruzaram com os animais locais.
→ Raça caprina Bóer
Foram introduzidos também alguns caprinos de raça Bóer em Moçambique e de facto surgiram animais com semelhanças às cabras do Pafúri num criador de Porto Henrique que os importou e cruzou com cabras locais.
A raça foi constituída na África do Sul a partir dos caprinos africanos originais que foram cruzados com animais vindos da Índia em 1661 e que foram depois submetidos a melhoramento.
→ Outras raças introduzidas em Moçambique
Além das 3 raças referidas que existiam ou entraram em Moçambique, outras, como as especializadas na produção de leite, podem ter sido importadas por criadores, querendo obter um pouco mais de leite, mas algumas poderão ter sofrido as acções das doenças transmitidas pelas carraças.
Houve interesse depois de 1975 em verificar o comportamento dessas raças especializadas na produção de leite, nomeadamente em cruzamentos.
Origem dos búfalos de água vindos para Moçambique
Foram criadores da Itália que forneceram os búfalos de água que foram introduzidos na Zambézia, pelo facto de não poderem vir da Índia por motivos de ordem sanitária.
Foram também certamente em tempos idos para a Itália e Egipto, onde os vemos a pastar na vegetação das águas do rio nos cruzeiros do Nilo.
O queijo Mozarela é fabricado também com o leite de búfala de água e fizeram-me referência ao fabrico de queijo na Zambézia com o leite da espécie, mas a nível familiar.
Búfalos de água em Vilankulo
João Graça faz referência à ida de búfalos de água para uma missão perto Vilanculos e de facto no mapa da distribuição do búfalo de água em Moçambique, fornecido por Camilo Duque, lá está a respectiva indicação.
→ Recordo
O envio de búfalos de água para uma Missão de Vilanculos fez-me recordar esta do passado.
- Olhe, paguei, paguei mesmo...
Aí vai a “estória” dos 300$00, em falta, nas despesas orçamentadas para a Delegação de Sanidade Pecuária de Vilanculos, que passou para Vilankulo, nome que certamente já teria antes de ser adaptado ao português.
Corria o ano de 1946 e das verbas que cabiam no Orçamento à Delegação de Sanidade Pecuária de Vilanculos, a primeira delegação que fui estrear em Moçambique sendo o primeiro veterinário que chefiou a delegação, cujas instalações tinham sido localizadas no antigo hospital, transferido para o Mucoque, depois de reintegração da administração das terras da Companhia de Moçambique no Governo de Moçambique, restavam 300$00 que poderia utilizar como entendesse.
Era o Almoxarifado da Fazenda que fazia os concursos para os fornecimentos aos organismos dependentes do Estado e lá estava uma “charrua” que se poderia adquirir por 300$00...
Comunica-se ao Almoxarifado a compra da charrua e pede-se o envio para a referida Missão, julgando que se aproveitava algum transporte oficial para o local. Já na Angónia recebo a comunicação da Fazenda de que tinha excedido a verba orçamentada em 300$00, valor do transporte em qualquer veículo particular que paguei mesmo, não sei se como desconto, no vencimento, se em vale do correio.
Andam os nossos colegas moçambicanos preocupados e muito bem com uma maior utilização dos bovinos de trabalho na lavoura e nos transportes, e a procura de elementos sobre o assunto fez-me lembrar este episódio do passado, com a introdução da charrua numa das regiões de Vilanculos, paga a meias por mim...com 300$00. Mas esses 300$00, não são iguais ao Euro e meio de hoje. Eram mesmo 6% do meu vencimento de veterinário de 2ª classe, na altura, equivalentes a quase 2 dias de trabalho...
E esta…
Aveiro, 2003.07.09
Morg


























