Tradutor-Translate














Foram 45 anos a recolher imagens sobre a pecuária de Moçambique, primeiro com uma máquina 6X9 Zeiss Ikon, a preto e branco, e mais tarde com outras, com slides em colorido, a que se seguiram algumas obtidas em viagens a Moçambique. Contribuiram também para esta elaboração diversos colegas moçambicanos, técnicos e criadores ou entidades ligadas à Pecuária, Fauna e Indústrias animais. Algumas imagens foram também obtidas a partir de filmes em 8 mm, e depois de vídeos. Uma grande parte das imagens encontra-se já nos volumes publicados sobre a Pecuária de Moçambique, referentes às províncias do Norte, do Centro e do Sul. Pareceu-me útil que estas imagens fossem postas à disposição dos estudantes dos cursos agrários em Moçambique e mesmo de outros países, pelo menos, dos que falam português, e que poderiam ser utilizadas nos seus trabalhos. É esta a razão que se pretende com esta elaboração deste Banco de Imagens no qual poderão ser introduzidas outras de quem o deseje e ou com ligações e interesses pela pecuária ou novas tecnologias no campo das produções animais, em Moçambique ou em outros países.----Esgueira, 2009.06.23-F. de Pinho Morgado

A MINHA VIAGEM A MOÇAMBIQUE EM 1996

(Para ouvir o som dos vídeos sem sobreposições,
faça pausa no player acima, obrigado)
Nota: Se tiver uma "ligação pouco rápida"
para ver o vídeo sem interrupções, carregue
no play e passados alguns segundos faça
pause, aguarde uns minutos e faça
novamente play, e assim sucessivamente.

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Pequenos ruminantes - Raças caprinas






→ Pequenos ruminantes





São incluídos nos pequenos ruminantes os ovinos e caprinos e por esta espécie, a mais numerosa em Moçambique, começo a apresentação de imagens que se obtiveram.



“O cabrito é animal que se vê no campo a procurar folha ou rebento mais apetecido, saltar, correr, lutar e trepar a qualquer elevação que se depare à sua frente, isto é, espécie cheia de vida mas que dá vida também àquele que o possua”






Rebanho de pequenos ruminantes da Remoc, Lda, Impamputo –
2004 – Célia Jordão


 
 
→ Raças caprinas Landim, Pafúri e Bóer
 
 
 
 
Conhecidos como de raça Landim, a maior parte dos caprinos de Moçambique, mais numerosos do que os ovinos, pertence ao grupo de orelhas curtas de Mason e Maule, com excepção porém dos que se encontravam na região do Pafúri, cuja origem resultou provavelmente do cruzamento dos anteriores, com os de raça Bóer, de orelhas compridas, vindos da África do Sul.
 
 
 
 


Cabra Landim de orelhas curtas, amamentando, em Sofala,
Cajual de António Pinho – 2004 – Morg






Cabras do Pafúri de orelhas semi-pendentes,
na Estação Zootécnica de Chobela – Morg





 


Caprinos Bóer de orelhas compridas
– África do Sul – Morg

 
 
_______________________________
 
 
 
 
 
→ Raça caprina Landim
 
 
 
 
O cabrito landim encontra-se espalhado por todo o Moçambique chegando a ser recolhido mesmo sob a protecção da casa onde vive o camponês.



De orelhas curtas e de pelagem bastante variada, na sua alimentação entram folhas, rebentos de árvores e arbustos e tudo a que pode chegar com valor nutritivo.


Em Tete e em período de fome as maçanicas deitadas ao chão constituem um recurso para a sua alimentação.


De boa fecundidade e fertilidade chega a ter quadrigémeos.


Na sua comercialização sofre um bocado com os recursos disponíveis, não só quando os proprietários aguardam a sua venda em dias de calor ou na forma de transporte, cobertos por vezes por lonas.

A espécie foi um elemento importante para o povoamento pecuário do norte de Moçambique.



Fez parte também dos trabalhos da Estação Zootécnica de Chobela e depois de 1955 foi criado um estabelecimento ligado ao estudo e produção da espécie.







Caprinos Landim na Catembe, Maputo – Morg







Cabra com 4 crias – Empresa Agro-pecuária Capelas –
Mohambe – Gaza







Caprinos Landim em Metengo-Modzi – Angónia – 1967 – Morg







Cabra Landim no Mandie – 1968 – Vista lateral – Morg






Caprinos Landim comendo maçanicas em Tete –
2009 - Carlos Santana Afonso







Caprinos amontoados em Canongola, Tete,
aguardando a comercialização – 2009 –
Carlos Santana Afonso

 
 
 
 
 

 
Caprinos Landim no Báruè, vindos de Tete
a caminho da Beira – Morg







Caprino Landim do rebanho que fornece o restaurante
do Cajual dos Pinhos entrando para o cabril –
Sofala – 2004 – Morg








Caprinos de Tete em Montepuez para povoamento pecuário – Morg







Caprinos Landim no pasto – Chobela – 1996 – Morg







 
Cabritos Landim – Est. Zoot. Central de Chobela – 2004 – Morg
 
 
 
 
_______________________________
 
 
 
 
 
→ Raça caprina do Pafúri
 
 
 
 
As cabras do Pafúri entre outras características distinguem-se das Landim pelo tipo de orelhas semi-pendentes que possuem.


A sua área de dispersão encontrava-se nas terras do Pafúri, de onde foram trazidos alguns exemplares para a Estação Zootécnica de Chobela.


A raça tem grande valor para a população da região cujas culturas estão sujeitas a grandes períodos de seca e a ela recorre pela sua produção de leite.


Na sua origem admite-se a existência de um caçador Bóer que se estabeleceu em tempos idos na região trazendo com ele alguns caprinos de raça Bóer que se cruzaram com os animais locais.






Cabras do Pafúri na Estação Zootécnica de Chobela – Morg






Cabra do Pafúri vista pela frente – Filme +-1955 –
Morg



_______________________________




→ Raça caprina Bóer




Foram introduzidos também alguns caprinos de raça Bóer em Moçambique e de facto surgiram animais com semelhanças às cabras do Pafúri num criador de Porto Henrique que os importou e cruzou com cabras locais.



A raça foi constituída na África do Sul a partir dos caprinos africanos originais que foram cruzados com animais vindos da Índia em 1661 e que foram depois submetidos a melhoramento.






Um belo exemplar de bode Bóer na África do Sul – Morg






Caprino Bóer em pastagem de chanate, África do Sul – Morg







Bode Bóer da Empresa Agro-Pecuária Capelas –
Mohambe – Morg



_______________________________


 

 

→ Outras raças introduzidas em Moçambique




Além das 3 raças referidas que existiam ou entraram em Moçambique, outras, como as especializadas na produção de leite, podem ter sido importadas por criadores, querendo obter um pouco mais de leite, mas algumas poderão ter sofrido as acções das doenças transmitidas pelas carraças.



Houve interesse depois de 1975 em verificar o comportamento dessas raças especializadas na produção de leite, nomeadamente em cruzamentos.






Bode Saanen x Landim – Origem não recordada



António Madureira Rocha fez, na Estação Zootécnica de Chobela inseminações artificiais das raças leiteiras Alpino Francês e da Saanen, dando a primeira bons resultados pela sua resistência.

 
 
 
_______________________________
 
 
 
 
→ Sobre o texto
 
 
 
 
 
André Martinho de Almeida, associado a outros técnicos, tem vários trabalhos efectuados no campo da nutrição sobre o caprino Bóer e também no das suas características e origem, em conjunto com Luís Schwalbach, como o das “Breves considerações sobre a Raça Caprina Bóer”
 
 
A situação dos caprinos em Tete, Carlos Santana Afonso, que estavam sujeitos ao sol e à chuva melhorou pois o Conselho Municipal mandou fazer umas barraquitas onde os animais e os donos podem aguardar os compradores.
 
 
 
_______________________________




 
Origem dos búfalos de água vindos para Moçambique
 
 
Foram criadores da Itália que forneceram os búfalos de água que foram introduzidos na Zambézia, pelo facto de não poderem vir da Índia por motivos de ordem sanitária.



Foram também certamente em tempos idos para a Itália e Egipto, onde os vemos a pastar na vegetação das águas do rio nos cruzeiros do Nilo.


O queijo Mozarela é fabricado também com o leite de búfala de água e fizeram-me referência ao fabrico de queijo na Zambézia com o leite da espécie, mas a nível familiar.




Búfalos de água em Vilankulo



João Graça faz referência à ida de búfalos de água para uma missão perto Vilanculos e de facto no mapa da distribuição do búfalo de água em Moçambique, fornecido por Camilo Duque, lá está a respectiva indicação.






Mapa da distribuição dos búfalos de água em Moçambique –
Camilo Duque




_______________________________




→ Recordo


O envio de búfalos de água para uma Missão de Vilanculos fez-me recordar esta do passado.



FOMENTO A MEIAS DA TRACÇÃO ANIMAL EM VILANCULOS...



Ao passar pela Beira o chefe, Fernão Maria de Sousa Homem de Quadros e Nápoles, pergunta-me como é que tinha resolvido o assunto dos 300$00 do transporte da charrua em Vilanculos...



- Olhe, paguei, paguei mesmo...



Aí vai a “estória” dos 300$00, em falta, nas despesas orçamentadas para a Delegação de Sanidade Pecuária de Vilanculos, que passou para Vilankulo, nome que certamente já teria antes de ser adaptado ao português.



Corria o ano de 1946 e das verbas que cabiam no Orçamento à Delegação de Sanidade Pecuária de Vilanculos, a primeira delegação que fui estrear em Moçambique sendo o primeiro veterinário que chefiou a delegação, cujas instalações tinham sido localizadas no antigo hospital, transferido para o Mucoque, depois de reintegração da administração das terras da Companhia de Moçambique no Governo de Moçambique, restavam 300$00 que poderia utilizar como entendesse.


Era o Almoxarifado da Fazenda que fazia os concursos para os fornecimentos aos organismos dependentes do Estado e lá estava uma “charrua” que se poderia adquirir por 300$00...







Um pescador em Vilanculos – 1972 – Morg



Com o espírito de não se dever deixar verbas por utilizar, sinal de má administração, nem é cedo nem é tarde, e vai, tendo em vista a sensibilização da população para a tracção animal, requisita-se uma charrua no sentido de a oferecer a uma das Missões de Vilanculos, creio que de Mapinhane, mas hoje não me recordo bem.



Comunica-se ao Almoxarifado a compra da charrua e pede-se o envio para a referida Missão, julgando que se aproveitava algum transporte oficial para o local. Já na Angónia recebo a comunicação da Fazenda de que tinha excedido a verba orçamentada em 300$00, valor do transporte em qualquer veículo particular que paguei mesmo, não sei se como desconto, no vencimento, se em vale do correio.


Andam os nossos colegas moçambicanos preocupados e muito bem com uma maior utilização dos bovinos de trabalho na lavoura e nos transportes, e a procura de elementos sobre o assunto fez-me lembrar este episódio do passado, com a introdução da charrua numa das regiões de Vilanculos, paga a meias por mim...com 300$00. Mas esses 300$00, não são iguais ao Euro e meio de hoje. Eram mesmo 6% do meu vencimento de veterinário de 2ª classe, na altura, equivalentes a quase 2 dias de trabalho...


E esta…


Aveiro, 2003.07.09
Morg

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Moçambique que vimos em 1996 - A cidade do Maputo



Regressar a Moçambique para os que lá viveram é
 como regressar à casa mãe e encontrar tudo que
nos acompanhou na nossa vida.

Da Cidade do Maputo à Barragem dos Pequenos Libombos.



O contacto dos médicos veterinários do 7º Congresso 
Internacional de Medicina Veterinária em Língua Portugesa 
com alguns aspectos da pecuária moçambicana.